Em 2013, o Centro Cultural Judaico de São Paulo, Brasil, inaugurou a exposição Fusões, de Gregório Gruber e Débora Muszkat. Os artistas trabalharam juntos por mais de um ano, retratando personalidades e figuras emblemáticas da história com um importante traço em comum. Durante o processo, ideias e materiais se misturaram e se transformaram, resultando em uma série de obras com características distintas dos estilos individuais de cada artista.
Legado e personas na transformação
O que é ser brasileiro? O que é ser italiano, argentino, polonês? O que é ser mulher?
O tema das “identidades” aparece frequentemente nas produções de arte contemporânea, e talvez nunca haja uma resposta definitiva para esse tipo de pergunta. Cada obra de arte, cada evento, cada livro, cada pessoa concreta está, na verdade, redefinindo os termos dessa identidade – e construindo a sua própria, individual e inconfundível.
O que é ser judeu? A questão é talvez ainda mais complexa do que as outras, e mais importante do que outras do mesmo tipo. Tendo estado, durante séculos, em contato com diversos outros países e culturas, o judeu teve, ao mesmo tempo, que permanecer fiel a uma série de tradições religiosas, linguísticas e culturais que o preservaram do simples desaparecimento.
A ameaça de desaparecimento – não apenas cultural, mas também físico – tornou-se, contudo, uma parte particularmente dramática de sua própria história cultural, de sua própria tradição, após o Holocausto.
Gregório Gruber e Débora Muszkat, brasileiros, paulistanos e artistas, viveram suas identidades – e a de muitos outros – de maneiras únicas. Como artistas, nenhum dos dois seguiu os ditames das tendências mais em voga na arte contemporânea, criando formas de expressão individuais e vanguardistas.
Texto de Marcelo Coelho
Sønderborg, Danmark
+45 42 70 89 30